» Conheça Nicholai Hoolligans. Ele possui dezenove (19) anos. Se assemelha com Luke Worrall. É residente e encontra-se atualmente INDISPONÍVEL.

“Informações Básicas”

◘ Possui a raça de um: “Híbrido [Bruxo e Lobisomem] e é um Caçador”

◘ Tem o poder/atributo/habilidade de: Hemocinese, cura acelerada, sentidos aguçados e reflexos sobre-humanos.

— Everybody has a past:

“É a primeira vez que faço isso. Eu nunca escrevi sobre mim e muito menos em um diário. Por que tenho um? Foi um presente da primeira pessoa que matei; meu melhor amigo. Ele estava no lugar errado, em um momento errado, com a pessoa errada. Meu pai me disse que eu não devia me culpar e eu até tento, mas difícil quando cenas de gritos e sangue me vem à cabeça.

Ele foi o primeiro e não foi o último. Tiveram mais dois, apesar de um ter realmente merecido. Ainda sim, matar pessoas não é minha tarefa. Elliot poderia estar vivo se eu não tivesse perdido o controle.

Estou indo rápido demais? Do começo, então. Eu posso lhe contar um quanto antes de meu nascimento.

Os Hoolligans são uma linha antiga de bruxos com um pensamento radical mais antigo ainda: criaturas devem ser eliminadas; qualquer uma; todas. Independente de obedecerem as regras. Dimitria é o nome de minha mãe e ela é tão boa no que faz que, apesar dos questionamentos, não discordaram quando ela deu a ideia de unir-se a uma matilha em específico pelo tempo que levasse para aniquilar o alvo em comum. Foi como ela conheceu meu pai, Steban. E como um cachorro que simplesmente se encanta por um humano, meu pai foi estúpido suficiente para se deixar levar por uma bruxa. Como uma humana pecadora, minha mãe foi hipócrita suficiente para se deixar pela luxúria. Eu surgiria de uma one nightstand, diriam, que nunca foi suposta a acontecer. Eu nunca fui suposto a existir.

Quando minha mãe descobriu estar grávida, o acordo quebrou-se imediatamente. Foi uma merda, uma grande. Ela carregava um monstro que teria que, pelos princípios da família, matar. Porque, querendo ou não, eu tinha sangue de um criatura. Eu, então, estaria morto se não fosse o pai de minha mãe e meu próprio pai. Se meu avô era legal? Não. Um racional sem coração que adorou, enquanto viveu, me ter como experimento. Se meu pai é legal? O melhor pai e amigo do mundo. Mesmo quando não podia, ele esteve quando nasci. Mesmo quando havia sido ameaçado, ele me encontrava no final da escola. Ele nunca me deixou completamente, mas sabia que havia coisas que eu não conseguiria aprender com ele. Afinal, eu também sou um bruxo. Um fajuto, acho, mas sou. E como eu não queria ser.

Eu não vou dizer que minha infância foi dramática e sem amor, pois, de algum modo, Dimitria ainda me ama, ao menos é o que meu pai diz. Ela me ama do jeito dela, caso contrário, já teria me matado. Oportunidades não faltaram, inclusive. Aparentemente, meus olhos foram a primeira coisa que chamou sua atenção – não só dela, mas do resto do bruxos. É como se eles fossem uma metáfora sobre quem eu sou: um híbrido. O esquerdo, azul; o direito, castanho como mel. Como se cada um representasse as duas espécies que tenho. A segunda coisa foi a inocência de criança; a facilidade que eu poderia ser moldado. Bem, aparência caucasiana, como todo meu lado materno, eu tinha. O quê mais eu teria? Como eu realmente era? Essa foi a terceira: do que eu era capaz de fazer?

No início, me ensinavam poções e encantamentos. Eu sou bom na teoria, mas ruim na prática. Daí, então, foram desafios que atiçassem poderes, ou algo tão ridículo assim. Acontece que a cura rápida e super audição não se encaixavam em poderes de bruxos: eles descobriram que eu tinha, sim, além dos caninos afiados – como qualquer pessoa poderia ter, pois não passa do molde de meus dentes -, eu tinha tais características de lobisomens.

Olha, isso não é como um desses quadrinhos que humanos costumam ler. E eu queria ter parado nisso. Era o suficiente. Mas meu avô não deixou parar. Ele sabia que tinha mais. Dimitria chama de dom; eu chamo de sina. Minha sina, então, foi descoberta quatro anos atrás do jeito mais traumático que eu podia pensar: Elliot explodiu, literalmente, em minha frente. O sangue espirrou por todos os lados, inclusive meu rosto. Eu não conseguia olha-lo; tinha sido como uma panela de pressão. De dentro para fora e… Aprendi que eu não posso me alterar; que eu não posso sair do estado de calmaria. Torpor ou serenidade.

Nessa mesma época, eu tive o verdadeiro conhecimento do pensamento radical que minha família materna levava. E se eu já não sentia que me encaixava, naquele instante, eu me senti ainda mais deslocado. Mais hipócrita também, assim como minha mãe foi. Como poderia eu fazer parte de uma família que mata pessoas como eu? Eu deixei eles com dezesseis anos, quando um acidente aconteceu. Lembra quando falei que um havia merecido morrer? “Meu avô” sabia o quê estava fazendo quando me pressionou de várias formas e, principalmente, psicologicamente. E então, ele foi pior. Eu evitarei escrever isso. No fim, quando ele estava seco no chão, meus tios me encararam junto com minha mãe e somente um deles tentou me atacar. Este que ainda hoje deixa claro que deseja isso. Os outros? Eles sabiam que o pai deles tinha ido longe demais.

Bem, acontece que eu não passaria mais nenhum dia ali. Nenhum dia respirando o mesmo ar que os Hoolligans. Fui morar com meu pai e, mesmo sabendo que isso só ferraria mais a relação entre as duas raças, ele e a matilha me abraçaram. E foi com eles que aprendi a ser um caçador e sou há dois anos. Mato quem desobedece as regras; mato quem, ou o quê, é problema. O Hoolligans em meu nome tem algo dois motivos, por agora saiba que é um lembrete de que preciso ter controle de minha mente e de que não quero ser como eles.

Apesar que no fundo, eu seja como os dois. No fundo, eu sou um bruxo e um lobisomem. Sou uma criatura que desejava não ter nascido.

OK. Chega por hoje.”